Ouvi hoje pela primeira vez o termo heteropessimismo. Não é novo, terá surgido em 2019, mas sou lento na actualização. Descobri, com este episódio, de que estou sete anos atrasado. Sou uma pessoa serôdia, digo para mim mesmo. Em linguagem do campo, há as colheitas temporãs e as serôdias. Eu sou do tardio, nada de precocidades. Pelo contrário. Voltemos ao heteropessimismo. É um sentimento essencialmente feminino. Não sem razão. Mulheres sentem que evoluíram social e emocionalmente de forma muito mais rápida do que a maioria dos homens. Quando descobri o novo termo que me ilumina neste texto, alguém diz que as mulheres vivem nos dias de hoje e os homens estão no século passado, nos anos 80. Discordei, claro. Muitos homens vivem no século XIX e, no fundo, têm uma visão das mulheres não muito diferente dos talibans. Isto é um drama para as mulheres. Não encontram um parceiro à sua altura, com quem possam compartilhar a vida. Por muito estranho que possa parecer, o principal problema político dos dias de hoje é o estatuto da mulher. É este estatuto que leva os homens a escolherem o primeiro idiota que lhes aparece pela frente com um discurso de apologia de putativas virtudes másculas. No fundo, o que se deseja é reduzir as mulheres à dimensão dos homens: crianças grandes, que julgam que a vida é uma adolescência eterna. Não devia escrever sobre estas coisas. Sou um mero narrador cujo autor lhe proíbe os assuntos políticos. Contudo, o que me mobilizou não foi a política mas a descoberta de uma palavra nova. Aumentar o vocabulário é aumentar o mundo onde se vive.
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