Se me perguntarem qual o pensador com o nome mais complicado para pronunciar, direi: Erik Ritter von Kuehnelt-Leddihn. Este nobre austríaco não faz parte do cânone de pensadores proeminentes, mas tem um nome que seria memorável se não fosse tão difícil de memorizar. De certo modo foi um pensador político e tem uma obra que ainda hoje merece referência, tanto para quem concorda com ele como para quem discorda: Liberty or Equality – The Challenge of Our Times. Também escreveu romances, porventura com menos sucesso do que as suas obras de filosofia política. Kuehnelt-Leddihn, além de nobre, era católico, conservador, liberal e monárquico. Esta teia de filiações ideológicas é uma exigência do próprio nome. Quanto mais complexo é um nome, mais filiações exige. Por exemplo, Platão ou Aristóteles, na simplicidade das suas denominações, filiam-se apenas no seu próprio pensamento. Platão é platónico e Aristóteles é aristotélico. Embora, note-se, Platão não se chamasse Platão, mas Arístocles. Platão era uma alcunha, cuja razão de ser é disputada, e, por isso, omito-a aqui. Foi uma disposição do acaso acertada. Não seria muito agradável que se dissesse que os dois filósofos decisivos se chamavam Arístocles e Aristóteles. Uma cacofonia e para cacofonia já basta o Erik Ritter von Kuehnelt-Leddihn, que não é um pensador decisivo, embora ninguém saiba o que é um pensador decisivo e o que faz com que ele assim seja reconhecido.
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