quinta-feira, 2 de abril de 2026

Um mundo difuso

Ainda não acertei o passo com a hora de Verão, embora ela surja na Primavera. Ao acordar, se olho para o relógio fico confuso. Depois, durante todo o dia, transporto um sentimento de desacerto dentro de mim. Com a hora de deitar, as coisas não mudam. Vivo de forma anacrónica. O tempo em que vivo não coincide com aquele que está convencionado para esta época do ano. Não consigo recordar-me se este desarranjo é habitual ou se é uma coisa nova, uma oferta da idade. Depois, mas disso lembro-me de ser recorrente, estou a ser bombardeado pela astenia de Primavera. O que me apetece durante todo o dia é dormir, melhor, dormitar. Resisto ao apetite, mantenho os olhos abertos, mas a realidade não muda. Indiferente a este drama é o canto dos pássaros meus vizinhos. Já vieram há umas semanas, mas agora não se cansam de chamar a atenção sobre eles. Finjo que não os oiço, mas eles sabem muito bem que não é verdade. Por isso, continuam a cantar e esperam a minha gratidão. O desacerto horário e a astenia primaveril, porém, tiram-me a energia para lhes render homenagem. Que cantem, desde que não me incomodem. Eu também não os incomodarei. Vou ver um filme, talvez dormite uns instante e o mundo se torne um pouco menos difuso. 

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