Saí manhã cedo para caminhar. No percurso, lembraram-me de um velho ditado desta zona: primeiro de Agosto, primeiro de Inverno. É possível que se esteja perante uma hipérbole, mas convém não esquecer que a hipérbole é uma lente de aumentar. Exagera a realidade para mostrar aquilo que ela é. E nesse momento parecia estar em pleno Inverno. Uma atmosfera sombria e uma temperatura que não era a de Verão. Encolhi os ombros e pensei que não seria o Inverno propriamente dito, mas antes a minha estação preferida, o Outono. E foi sob uma atmosfera outonal que fiz o exercício. Em Agosto, virão dias estivais, mas o Outono há-de estar não poucas vezes presente. Haverá mesmo um ou outro dia vivaldiano, em que as quatro estações se sucederão em poucas horas. Não haverá, claro, dias de neve, nem frio avassalador, mas isso é coisa que nunca existe por estes sítios. Começarão, porém, a cair as primeiras folhas, numa anunciação do Outono, estação que mereceria uma Sagração como Igor Stravinsky compôs para a Primavera.
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