Olho a avenida. Os carros descem e sobem. Param no semáforo. Então, dois, três, não sei quantos peões passam apressados, para que os carros continuem a descer e a subir, sem que o movimento pare, sem que os destinos se saciem de tantos a que eles aportam. O som de uma televisão chega-me aos ouvidos. Talvez tenha sido uma das piores invenções que a imaginação do homem deu à luz. Tudo se torna espectáculo, a começar pela desgraça, os destemperos da natureza e a malevolência dos homens. Não se trata da sociedade do espectáculo, mas de transformar a vida em escândalo que atice em todos a fera do voyeurismo. Não devia pensar nisto, pois a força das coisas é como a força do destino. O semáforo para os carros ficou vermelho. Um peão passou, a minha neta mais velha atravessou discreta e sem desconfiar que o avô a olhava de longe, como se fosse um anjo da guarda. Não muito competente. A televisão continua a vomitar desgraça, destemperos, malevolências, enquanto os carros não param de subir e descer a avenida.
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