quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Coiote e Bip-Bip

Afinal, ainda estamos em pleno Verão. Por aqui, passou dos quarenta graus. Passei o dia com o meu neto. Refugiados em casa, num cinema, no centro comercial. Esta semana já fomos duas vezes ao cinema, onde vejo coisas que não imaginava ver. Hoje, chegámos a acordo, eu e ele, de que o filme não era particularmente interessante. Girava em torno de duas personagens de desenhos animados de que gostava bastante, o Coiote e o Bip-Bip (Wile E. Coyote and the Road Runner), mas metia humanos à mistura, casos em tribunal, moralidade, daquela de que os norte-americanos tanto gostam, e alguma lamechice, também ao gosto daqueles sítios. Na versão original, os desenhos animados eram muito mais interessantes. Por um lado, exploravam as leis da física para as inverter. Por outro, não ocultavam a violência que existe na natureza, onde a vida se apresenta como uma cadeia alimentar. Pensei, enquanto o filme decorria, que a inversão que a física sofria nos episódios com o esfaimado Coiote e o super-rápido Bip-Bip se ligava a decisões metafísicas. A natureza das personagens fora metafisicamente refeita e era isso que, na nossa ignorância infantil, nos prendia ao ecrã para ver a frustração contínua do pobre Coiote. Chega por hoje. Talvez um dia destes escreva sobre a metafísica do Perna-Longa (Bugs Bunny) ou do gato Silvestre e do sagaz Piu-Piu (Sylvester and Tweety). A idade tudo permite. Ou quase.

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