sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Poeiras

Parece que Portugal foi atingido pelas poeiras vindas de um deserto africano. Talvez seja por isso que o dia está pesado. Cinzento e quente, uma luz turva e uma sensação de grande pressão atmosférica. Olho pela janela e penso como seria bom uma bela chuvada, juntamente com uma trovoada. Depois, ficaria tudo mais bonançoso. O estado das coisas, porém, não está inclinado para me satisfazer os desejos. Assim, suporto o que tenho de suportar, coisa que acontece a toda a gente, mesmo aos que acham que não. Devia pensar em diversas coisas, algumas importantes, como fazer uns dias de férias para descansar das férias. Porém, o estado do clima não me permite pensar. Os meus neurónios estão ainda mais lentos, as sinapses demoram imenso a fazer-se. O resultado é que estou a digitar o texto em câmara lenta. Isto é falso. A digitar, sou tão rápido como o Aquiles a correr, embora o meu cérebro seja mais lento que a tartaruga. Por isso, o cérebro vence sempre os dedos da digitação. O deserto africano bem podia ficar com as poeiras; sempre são dele, e ninguém lhas pediu. Há presentes que se dispensam.

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