Está um 5 de Outubro triste. A tristeza nasce da hesitação do dia em se apresentar ou chuvoso ou de um sol radiante. E toda a realidade se deixou contaminar por esse dilema. Também eu faço parte da realidade e também eu fui contagiado pela incerteza. Depois de escrever tudo isto, parei e, enquanto olhava para a rua, pensei que não era o dia que que estava triste e hesitante, mas eu. Não tanto triste, pois não sou dado a estados de alma. A hesitação, todavia, corrói-me a mente, o corpo e tudo o que se possa imaginar. Portanto, o 5 de Outubro não está triste nem hesitante. Sou eu, como uma pequena divindade, que projecto sobre o dia aquilo que está em mim. No fundo, somos todos como aquelas máquinas que, nos cinemas, projectavam os filmes no grande ecrã. Cada um projecta o seu filme e a realidade que percebemos não é outra senão aquela que projectamos. Dormi mal, de manhã tive um compromisso que me levou algumas horas, depois de almoço adormeci até ficar levemente indisposto. Não admira que o que escrevo não seja mais do que a projecção do mais puro solipsismo. Amanhã será outro dia. Como eu gosto de lugares-comuns.
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