domingo, 30 de novembro de 2025

Novembro

Despede-te Novembro, o tempo que te foi dado para seres marco do tempo está a acabar. Não voltarás. O próximo Novembro será outro, talvez tão efémero quanto tu. Esforçaste-te. Dias de sol, de chuva, de sombra, de frio. Até ontem me ofereceste uma noite de nevoeiro. Esqueceste-te, porém, de enviar com ele D. Sebastião. Eu sei que o Rei virá numa manhã e ontem era de noite quanto te enevoeiraste, mas podias ter feito uma surpresa. Não mais serias esquecido, pelo menos por aqui, enquanto os daqui fossem descendentes daquilo que são hoje. Era, porém, pedir-te mais do que poderias dar. Não sei se devo avaliar-te como agora se avaliam os serviços e as pessoas que os prestam. Numa escala de zero a dez – em que zero é não em absoluto e dez é um sim absoluto – recomendaria os serviços deste mês de Novembro a familiares ou amigos? Depois de te atribuir um número, para aferir a intensidade da minha recomendação, teria ainda a possibilidade de fornecer razões para justificar a minha avaliação. Poupo-te, porém, à humilhação do processo. Mesmo que voltasses para o ano, eu não te exporia aos humores do CEO do calendário, um inútil sem alma, que julga os meses pelas médias obtidas em inquéritos mais estrábicos que o mais estrábico dos homens. Despede-te da Terra, do tempo e do convívio, nem sempre agradável, com os humanos. Espera-te a eternidade, onde dormirás esquecido destes 30 dias, em que o mundo não melhorou um avo.

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