Na única rede social que frequento, ainda que de modo fugaz, vi uma experiência que decidi fazer. O processo experimental constava dos seguintes passos: 1. Colar no chatbot que utilizo uma imagem de uma divisão vazia de uma casa; 2. Pedir que a IA preencha aquela imagem com o que sabe sobre mim; 3. Contemplar o resultado. Como estava hoje num dia virado para a actividade experimental, decidi fazer a investigação em quatro. Aquele que pago respondeu-me que, por estar a iniciar uma conversa e não ter acesso às restantes, não era capaz de preencher o quarto com o que quer que fosse. Acho que me mentiu. Os outros três são utilizados por mim na versão gratuita. Não se fizeram rogados e devolveram-me uma imagem do quarto preenchido. Descobri que, em aparência, nada sabem de mim para além da minha inclinação intelectual, digamos assim. Transformaram o quarto num escritório, onde existem livros. Nada há neles que indique alguma coisa da minha intimidade, de eventuais inclinações políticas, desportivas, religiosas ou das minhas relações pessoais. Isso tranquilizou-me. Trato essas coisas como dispositivos e não como interlocutores. São, para mim, puras coisas e não seres dotados de inteligência. Esta coisidade com que trato os chatbots mostrou-me que ainda mantenho um módico de racionalidade. Embora, presunção e água benta cada um toma a que quer.
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