Está um domingo de Inverno. A tristeza que nele existe não vem, contudo, do tempo sombrio, mas do próprio domingo de província. Todos os domingos de província são tristes. Não se pense que os domingos das capitais são alegres. Não são. São ainda mais tristes, pois uma capital não é mais do que a soma de múltiplas províncias, cada uma com a sua tristeza específica. Aliás, o que distingue uma capital de uma cidade de província é o número de tristezas provincianas que contém. Aqui, eu só posso ser provinciano de uma maneira. Se estivesse em Lisboa, podia ser provinciano de múltiplos modos. Isto não é uma vantagem, pois coloca o problema da escolha. Nesta cidade, não tenho escolha possível para exercer o meu livre-arbítrio. Na capital, são tantas as possibilidades que se corre o risco de não conseguir escolher a modalidade em que, a cada domingo, se vai ser provinciano. Muitas pessoas não conseguem fazer a escolha. Pensam, então, que são cosmopolitas, enquanto não passam de pessoas indecisas que não conseguem descobrir a roupa que hão-de vestir para serem os provincianos que são.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.