sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Uma megera

Cada dia do ano tem atrás de si uma história, é aniversário disto, daquilo e daqueloutro. O 11 de Setembro não é excepção. Também nele se aniversaria não poucas coisas, por norma funestas: ataques a torres, golpes de Estado, bombardeamentos de cidades, queda de outras, batalhas aqui e ali. Como qualquer outro dia do ano, também este está tinto de sangue, que transborda dos poros da humanidade. Haverá também nele acontecimentos felizes. Consta que foi nele que nasceram o escritor D. H. Lawrence e o futebolista Franz Beckenbauer. Uma felicidade para os literatos e para os amantes do futebol. Contudo, a felicidade de cada dia não entra na história, uma megera que despreza as coisas boas, mas colecciona as más. Não passa de um museu de horrores. Por mim, acabava com a história. Mandasse eu, e decretava o fim da história. A partir de agora, não há acontecimentos memoráveis. Nada de batalhas, golpes de Estado, revoluções, cataclismos. A vida seria serena, e mesmo as paixões singulares seriam obrigadas a conter-se para que não transbordassem para fora de algum coração atormentado. Não sei como os poderes deste mundo não me escolhem para pôr tudo nos eixos, eu que tenho tantas ideias e tão boas. Um decreto meu, a história acabava e a felicidade jorrava pacífica e tranquila dos olhos de cada um. Assim, aguentem-se com a contínua visita ao museu de horrores. Talvez a espécie não mereça mais.

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