Despede-te Outubro. Levas contigo parte maior da estação. Vais preso ao Estio, com dias de calor, onde os mortais adormecem nas tardes de sábado. Não sei se te posso fazer entrar num poema, Folhas d’Outono, de Osório de Castro, o simbolista amigo de outro simbolista, Camilo Pessanha. Serras! … A uma e uma vão / Caindo as folhas gondoladas / Das grandes árvores doiradas. / Sem ruído acamam-se no chão. Por aqui os liquidâmbares estão quase despidos, mas as folhas das tílias e das acácias ainda resistem ao imperativo da gravidade. O mundo deixa-te partir como te deixou chegar. Não passas de um encolher de ombros entre um Setembro de que ninguém já se lembra e um Novembro que, depois dos Santos e dos Fiéis Defuntos, talvez arrisque um Verão de S. Martinho, num desejo de reconhecimento que não terá. Hoje, por um acidente da memória, tive de ir a uma grande superfície comercial. As empregadas, não todas, mas muitas, mascaravam-se em honra do Halloween. Olhei para elas e não soube o que lhes dizer. Quem lhes recomendou aquela figura? Pobres bruxas perdidas no tempo. Ao menos que se preparassem para amanhã irem, de porta em porta, pedir pão por Deus.
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