terça-feira, 6 de outubro de 2026

Digressões

Hoje é uma terça-feira que mais parece uma segunda. O feriado de ontem, apesar de todos os meus dias serem feriados, interferiu na percepção do tempo. Hoje comecei o dia com uma sessão de Pilates, coisa que já não fazia há mais de três meses. O resultado não foi brilhante. Aliás, a minha situação já não era brilhante antes de lá chegar. A cervical e a lombar, e mais nem sei bem o quê que uma pessoa tem para se inflamar. Do ponto de vista meteorológico, um assunto que me ocupa todos os dias, a manhã teve um início promissor. Grandes trovões e aguaceiros fortes. Contudo, com o passar das horas, foi-se desinflamando até chegar a uma luz esbranquiçada e anémica, enquanto, no céu, algumas nuvens, como barcaças escuras, sulcam aquele mar etéreo. A vida escolar parece estar já bem lançada. Na praceta aqui em baixo, bandos de adolescentes algazarram, antes de entrarem para as lições no instituto de línguas. Também eu precisava de frequentar esse instituto, caso houvesse cursos para gente da minha idade e de línguas de que nunca ouvi falar. Aprender aquelas de cuja existência já fomos informados é tempo perdido. O que desejava era um nicho de mercado linguístico, pois que originalidade tinha aprender chinês, árabe ou norueguês? Podia estudar assamês, divehi ou mesmo shona ou tatar. Isso garantir-me-ia uma singularidade bastante singular e um mercado para o qual ninguém estaria habilitado. A verdade, porém, é que o instituto de línguas não consegue acompanhar a iniciativa privada e concentra-se em ensinar aquilo que toda a gente quer aprender, o inglês. Sinto-me frustrado, mas não se pode fazer tudo aquilo que se quer.

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