domingo, 13 de setembro de 2026

Uma aventura de domingo à tarde

Uma tarefa difícil para um domingo de Verão. Fazer um vídeo em que me filmo a falar sobre – ou será para? – a minha neta mais velha, pelos seus 18 anos. O vídeo é o de um cineasta abaixo de mau, o actor ainda é pior, mas toda a obra é minha. O script, a filmagem, a representação. Salva-me, penso, o amor. Será ele que redimirá a obra de arte. O script, porém, não será assim tão mau. Ela vai gostar e vai rir-se, e isso é importante. Talvez também se ria da representação do avô, mas isso pode acontecer a qualquer artista de domingo à tarde. E ser artista de domingo à tarde parece-me uma bela desculpa para a qualidade cinematográfica. Uma pessoa não pode ter ilusões. Eu não tenho. Ainda há uns meses, fui a uma médica especialista da voz. Andava desconfiado das cordas vocais. Examinou-me, examinou-me e, a meio da provação, diz: não é nenhum Pavarotti. Não sou, respondi. A verdade é que também não sou nenhum Visconti nem nenhum Marlon Brando. E o melhor é não me testar em mais nada, pois ainda acabo por descobrir que não sou nada. Enquanto for avô, a coisa vai muito bem.

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