segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Um aluno mediano

Tenho quase sempre um miserável desempenho na disciplina do Sono. Dantes, isto era uma impressão, mas já há uns tempos que substituí o impressionismo do «parece que dormi mal» pela certeza técnica. Com um smartwatch conectado ao smartphone, como se vê tudo coisas very smart, monitorizo — adoro esta linguagem técnica — o meu sono, noite após noite. Tive a certeza de que era um aluno mediano, senão mesmo medíocre. No último teste, a noite passada, obtive 58,14 pontos em 100 possíveis. Nem chega a 12 valores na escala com que fui avaliado quando era aluno. Talvez para me humilhar, existe um desdobramento classificativo, embora meramente qualitativo. Começo pelo fim, isto é, pelo melhor. Em Latência do Sono, obtive um excelente. Já no Sono REM, não passei do razoável. Em Descanso, Sono Profundo e Tempo Real de Sono, por misericórdia pedagógica, fui classificado com um «atenção», classificação dada para não traumatizar o aluno que, na realidade, recebeu um «mau» na caderneta secreta da aplicação. Depois, como uma professora zelosa, a aplicação dá-me conselhos para recuperação, exercícios de remediação. Não sabe ela, com a sua vocação professoral, de uma coisa. Este narrador mal dormido ainda não recuperou do primeiro dia em que pôs os pés na escola. Já passaram mais de seis décadas. O melhor seria mudar de aplicação como quem muda um filho de colégio. Desconfio, porém, de que todas as aplicações vigilantes da qualidade do sono são concebidas por programadores que, no fundo, são professores frustrados. Muito gostaria de amanhã receber um excelente, mas, se tiver um razoável, já me alegro. Não sou um aluno ambicioso.

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