Os dias estão mais longos. Nota-se bem. Eu ouvi, mas pensei noutra coisa. Pensei na perfeição de Fevereiro quando tem apenas 28 dias. São quatro semanas exactas e não quatro semanas vírgula qualquer coisa, que é o que acontece a todos os outros meses, e ao próprio mês de Fevereiro nos anos bissextos, quando ele rompe com a exactidão e, inchado de orgulho, pretende ter mais do que as exactas quatro semanas. Então, cai na armadilha das vírgulas, não conseguindo encontrar a paz nas casas que se seguem à vírgula. Sou um narrador sensível à exactidão, embora nem tudo – talvez nada – do que escrevo seja exacto. Se dormisse melhor, penso, seria mais exacto e encontraria motivos menos espúrios para estes textos, mas há muito que sofro de insónias, são noites mal dormidas, umas atrás das outras. O cérebro transtorna-se e cada vez que se propõe conceber alguma coisa, o que lhe nasce é um aborto. Espontâneo, note-se. Seja como for, espontâneo ou voluntário, um aborto não deixa de ser o que é. Aliás, caso quisesse abortar estes textos, não o conseguiria com tanta eficácia como aquela que existe sem que a minha vontade se sente numa cadeira confortável, pondere, delibere e execute um texto abortado. Nada disto tem que ver com o crescimento dos dias, mas também não me interessou o assunto. Fica para uma próxima oportunidade.
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