Onde estão aqueles dias longos, enormes, que pensava que não acabariam? Ficaram lá tão atrás que, ao contrário do que pensava, não consigo recuperá-los. Ingénuo, convencia-me de que a dimensão do dia estava ligada à realidade. Por realidade, deve entender-se a vida activa. Quando se chega à vida passiva, dizia-me, os dias dilatar-se-ão novamente, pois a possibilidade do ócio torna-se grande, e os dias, outrora grandes, estavam ligados à ociosidade. Puro engano. Descobri que a dimensão dos dias é inversamente proporcional à idade. Quanto mais anos acumulamos, menores são os dias. Olho para o de hoje e ele foi tão pequeno que está a acabar. Quanto às noites, o melhor é não pensar nelas.
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