Está uma tarde poeirenta, o céu azul maculado por uma cor indefinida, sem nome. Será das poeiras do deserto, pensei. Não fui ver. Preocupa-me, antes, outra coisa, mas não sei bem qual. Olho para as unhas das mãos e decido que vou cortá-las, mal acabe de escrever. Talvez seja isso que me preocupa. Talvez não, a sua situação não é preocupante, e o assunto não é digno de preocupação. Contudo, há uma coisa que sempre me deixa ligeiramente espantado. A unha do polegar direito cresce mais do que qualquer outra. Espanta-me porque ignoro as razões. Talvez a preocupação venha de outro lado. Tenho de ir caminhar e talvez tenha de respirar as poeiras que atravessaram tantos quilómetros para virem aqui cair sem honra nem glória. Se as respirar, serei contaminado pela sua desonra? São estes problemas que deveriam interessar os homens, mas têm mais que fazer. Eu também teria, caso não tivesse passado à vida passiva. Por isso, irei caminhar, mesmo enfrentado as poeiras e a contaminação. Sem máscara, mas de unhas cortadas.
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