Um sábado de Junho como se estivéssemos no pino do Verão. Trinta e nove graus. Recolho-me em casa. Dia propício para o desporto de sofá. Mundial de futebol e as 24 horas de Le Mans. Se fosse adolescente, poderia ser prometedor. O entusiasmo das corridas de automóveis e dos jogos de futebol. Há bocado, vi a partida e as primeiras voltas de uma das mais míticas corridas de automóveis. Fiquei a olhar perplexo. Não pelo que estava a acontecer na pista, mas com o meu antigo entusiasmo. Queria encontrá-lo, mas nada vi de entusiasmante. Esta experiência também me acontece com o futebol. Depois de bocejar, pensei que estas competições nada têm de interessante. Era eu, na verdura dos anos, que projectava nelas o meu entusiasmo. Talvez lhe quisesse encontrar um objecto para desculpar esse estado patológico. No mundo, penso agora, nada há de entusiasmante, mas nós, seres humanos, nascemos com uma dose de entusiasmo – uns mais, outros menos – e aplicamo-nos a justificá-lo, dando-lhe focos de interesse. Depois, há alguns que curam a doença, outros que vão trocando o objecto a que aplicam a dose de entusiasmo com que vieram ao mundo e outros, talvez os mais felizes, mantêm-se fiéis ao objecto inicial. Se não estivesse curado, teria muito para ver neste sábado de Junho, dia revestido com os calores vindos do inferno.
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