terça-feira, 2 de junho de 2026

Homem do presente

Tinha pensado escrever sobre uma das mais famosas frases de Nietzsche: O homem é uma corda estendida entre o animal e o super-homem. A ideia era comparar a superação do homem proposta pelo pensador alemão com a superação proposta pelas correntes transumanistas e pós-humanistas. A primeira alicerçada na ética e na vontade, a segunda na tecnologia. Depois, o barulho de um berbequim a perfurar o cimento no prédio, os gritos de adolescentes à espera da aula no Centro de Línguas e a preguiça que faz parte da minha natureza, tudo isso junto fez-me desistir de tão estouvado projecto Não quero saber de super-homens, dotados de uma supermoral nascida de uma supervontade, nem de homens hibridados com a tecnologia, que não serão já homens. Convivo bem com a minha humanidade limitada, frágil, mortal. Não quero ter uma superinteligência alicerçada num chip implantado no cérebro, basta-me a minha estupidez natural. Não quero um moral de super-homem, bastam-me as morais humanas. Não sou um homem do futuro, dirão. Claro que não. O futuro é aquele lugar em que estaremos todos mortos, mesmo os super-homens, mesmos os híbrido pós-humanos. Devia ir dormir uma sesta, actividade humana, demasiado humana. Talvez o faça.

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