terça-feira, 30 de junho de 2026

O melhor é ignorar

O tempo é um imenso cemitério. Sem contemplações, vai sepultando, um a um, os meses e os anos. Nunca se cansa e é inexorável. Sim, é verdade que, de quatro em quatro anos, hesita perante Fevereiro. Não sei que argumentos este lhe dará, nessa altura, para que lhe seja concedido mais um dia. Mas nunca mais do que isso. Este Junho está prestes a desaparecer. A pergunta que cada um deverá fazer a si próprio é a seguinte: o que fizeste deste Junho que te foi dado? O melhor, porém, é esquecer a pergunta. Razões para isso? Duas. Em primeiro lugar, porque a resposta pode ser muito desagradável, que não se tenha feito grande coisa com este mês que habita duas estações. Depois, porque a pergunta é daqueles que causam ansiedade. Lembra-nos que o tempo nunca pára de passar e que cada vez temos menos. Ora, vivemos num mundo que não gosta de realidades desagradáveis nem de situações de ansiedade. A solução será não fazer perguntas e esperar que chegue Julho, para depois vir Agosto e assim sucessivamente. Não conseguimos parar o tempo com as mãos. Ignoremo-lo.

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