Não dei por hoje ser feriado, pois todos os dias passaram a ser feriado. A realidade suspendeu a força coerciva sobre mim, até que outra realidade suspenda definitivamente tudo. Uma viagem rápida à capital de distrito e um almoço numa terra que se intitulou capital do cavalo. Não vi nenhum, pelo menos reconhecível como tal. Sabe-se, porém, que há muitos cavalos disfarçados. Passam por nós e parecem-nos seres humanos, mas não são. Aliás, só um entranhado hábito nos leva crer que quando deparamos com um homem ou uma mulher é um ser humano que vemos. Esta crença, porém, está longe de ter provas fundadas. Quantas vezes, aqueles que passaram por nós como humanos, ao cortarem para outra rua se apresentam como cavalos, ursos, hienas, leões. Por certo ter-me-ei cruzado com alguns cavalos e não é improvável que tenha partilhado o restaurante com outros. Todos bem disfarçados. Não relinchavam e, quando se levantavam das mesas, não se punham a trotar. Andavam como seres humanos com o propósito de me enganarem. O mundo está cheio de metamorfoses, e, como fomos ensinados desde crianças, nem tudo o que parece é. Eu próprio…
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