quarta-feira, 17 de junho de 2026

Portugal, um grande jogo

Uma grande partida de futebol. Sim, estou a referir-me ao Portugal – Congo. No entanto, percebi a existência de alguma dissonância sobre os objectivos do jogo. Por exemplo, o Congo parecia convencido de que o objectivo do futebol é colocar a bola dentro da baliza adversária. Por certo, um equívoco. Portugal, pelo contrário, apresentou um jogo moderno, supereficiente e altamente rentável. Enquanto os congoleses têm uma visão arcaica, quase medieval do futebol, os portugueses têm uma visão moderna, defensora da economia de mercado, onde a propriedade privada, e não a honra de meter golos, é o objectivo. Assim, 75% de posse de bola foi portuguesa. Este é o objectivo numa economia moderna de mercado, a posse. Depois, enquanto os congoleses pareciam desesperados para se desfazer da bola, os portugueses jogavam com ela. Para o lado, para trás, outra vez para o lado, outra vez para trás. Estes passes dos portugueses são análogos a pôr dinheiro num banco para o ver crescer, acumulando juros, embora esta analogia esteja um bocado ultrapassada, pois os bancos deixaram de pagar juros e cobram taxas. Mas podemos imaginar bancos antigos, dos sérios. Portanto, como os antigos investidores depositavam dinheiro para ele crescer, os portugueses jogavam para o lado e para trás para crescer a sua propriedade. E conseguiram. Coitados dos congoleses, com uma quota de 25% na posse de bola nem têm capacidade para numa assembleia geral de sócios fazer vingar qualquer proposta. Isto é o que acontece a quem acha que o futebol é para marcar golos. A continuar assim, Portugal acabará como proprietário de todas as bolas do Mundial.

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