Cheguei hoje a casa, depois de tantas semanas fora, perdido por aí. Fui recebido com o acinte do calor, mas a vida tem destas coisas, não se pode ter tudo o que se quer, tendo-se, porém, muitas vezes, aquilo que não se quer. A adaptação não está a ser fácil, não por causa do calor, mas do teclado com que escrevo. Parece ciumento por ter sido trocado por outro este tempo todo. Quero escrever ter, e ele escreve teerr. Não lhe pedi que introduzisse nas palavras uma câmara de eco, mas ele não está interessado nos meus desejos. Não posso escrever muito, para não o irritar. Vou pensar como hei-de amansar a fera. Olho para a rua e descubro o bosque da escola em frente e as acácias da praceta. Mil tonalidades de verde fazem esquecer o amuo ecoante do teclado. Uma brisa ligeira chega até mim, mas o teclado continua a fazer eco.
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