No final de Julho, comprei bilhetes para um concerto, hoje, em Coimbra. É o que se chama precipitação ou, melhor, falta de previsão. Se tivesse superpoderes, teria antecipado a desgraça trazida pela intempérie, e os dois lugares não ficariam vazios, como irão ficar logo à noite. O problema reside na perda dos superpoderes. Certamente que os tive, mas não me lembro nem consigo precisar quando dei por tê-los perdido. Talvez numa noite de calor ou numa madrugada fria, terei querido usá-los e não funcionavam. A partir dessa hora, os meus planos, o mais das vezes, não passam de enganos. Outro sinal de que eles me abandonaram é não conseguir que o tempo mude. Estou farto destes dias de cinza e chuva. Preciso de sol, sol de Inverno, note-se, mas, por mais força que faça, não consigo trazê-lo de volta. É o que acontece a quem, por distracção ou mau uso, perde os superpoderes. Fica à mercê do que acontece, e o que acontece muitas vezes não devia acontecer.
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