Por referência do filósofo escocês Alasdair MacIntyre, um dos mais influentes pensadores morais e políticos da segunda parte do século XX e início do XXI, comprei um romance de ficção científica. Trata-se de Um Cântico a Leibowitz, de Walter M. Miller, Jr. Encomendei-o online e levantei-o numa loja física, perto de casa. Várias coisas me espantaram no livro e nenhuma delas é o conteúdo. Em primeiro lugar, a editora, Publicações Europa-América. Refiro-me à sua primeira encarnação e não a uma segunda, pós 2023, salvo erro. Não esperava comprar um livro novo da antiga Europa-América. O livro não é novo, apesar de ser em primeira mão. Foi publicado, na colecção Nébula, em Maio de 2000. Portanto, está a caminho dos 26 anos. Entre a capa e a primeira página, encontrei intacto o destacável destinado ao livreiro, que serviria para este controlar as vendas e pedir reposições. Claro que já ninguém destaca os velhos destacáveis. A surpresa maior foi descobrir que os livros estão mais baratos do que naquele tempo. Como acontecia em grande parte das editores, também a Europa-América colocava um postal RSF (Resposta Sem Franquia). No livro de que me ocupo havia também um e que propunha a compra das obras de JRR Tolkien. Ora, cada volume de O Senhor dos Anéis custava 3 800$00, o equivalente a 19 €. Hoje, as mesmas obras custam 23,90€. Contudo, se o preço dos livros acompanhasse a inflação em Portugal, cada volume de O Senhor dos Anéis deveria custar quase 32€. Dito de outra maneira, os livros estão 25% mais baratos do que no ano de 2000. Se me perguntarem se esta conclusão é boa, eu responderei que não. Resulta de uma falácia da generalização precipitada. Pego num caso e, por indução, generalizo para o universo dos livros. Não se trata, contudo, de a minha asserção ser falsa. Talvez seja verdadeira, mas eu não o sei. A justificação que dou está longe de poder, só ela, arcar com o peso da conclusão. Portanto, eu não posso afirmar que sei que os livros estão hoje 25% mais baratos do que há 26 anos, mesmo que isso seja verdade. Hoje sou um narrador lógico apostado em falácias, coisa que o escocês citado acima me reprovaria, por certo. Se o fizesse, eu perdoar-lho-ia, não porque ele tivesse razão, mas porque escreveu uma das mais belas obras de Filosofia do século XX, After Virtue: A Study in Moral Theory (1981).
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