sábado, 31 de janeiro de 2026

O 31 de Janeiro e o clima

O 31 de Janeiro está ligado a uma revolta, no Porto, ocorrida em 1891. Ora, o século XIX foi pródigo em acontecimentos destes, revoltas e revoluções, a começar pelas invasões francesas. O século XX também teve a sua dose de agitação. Estes acontecimentos políticos são uma espécie de fenómenos atmosféricos: tempestades, ciclones, fogos, etc. É espantoso que, tendo em conta a agitação ocorrida no primeiro quartel de cada um dos séculos anteriores, o actual tenha sido absolutamente pacífico, com um estado do tempo favorável a uma vida pacata e tranquila, apesar das intempéries trazidas pela pandemia e a demência dos homens que superintendem os destinos do mundo. Pressente-se, porém, que há quem esteja saudoso daqueles primeiros quartéis – mas não só – dos séculos XIX e XX, onde o mar político era encapelado e os portugueses, mal havia um descuido, davam tiros uns aos outros. Talvez vivamos pacificamente há mais tempo do que merecemos, é o que me ocorre. Isto de viver em concórdia há 50 anos, parece estar a desgostar uma camada de gente cujas hormonas, excitadas peles redes sociais, estão perturbadas. Imagino que, com a crise instalada no Serviço Nacional de Saúde, haja falta de endocrinologistas para apaziguar o estado hormonal dessa camada desavinda com os dias em que nos respeitamos em vez de nos odiarmos. Ocorreu-me que, enquanto narrador, estou proibido, pelo autor, de escrever sobre política. Depois, pensei, que o que escrevi não é sobre política, mas sobre o estado do tempo, uma visão da fenomenologia climática. E falar do clima não é falar sobre política. Ou será?

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