Soube mesmo agora da morte, há dias, do padre Joaquim Cerqueira Gonçalves. Liderava, como agora se diz, no tempo em que cursei Filosofia, o departamento de Filosofia da Universidade de Lisboa, do qual era uma das figuras cimeiras. Das suas características, havia duas que me impressionaram: a inteligência e a ironia. Costumam andar ligadas e se falta uma é muito provável que falte a outra. A ele não faltava nenhuma, pelo contrário. Era claro que o padre Cerqueira, como era conhecido por todos, não entrava naqueles clubes referidos no post de ontem. Nem a inteligência nem a ironia lho permitiriam. Isto, para além, da condição de sacerdote franciscano, embora a condição sacerdotal não seja um seguro contra os devaneios da imaginação. Não vou contar quantos dos meus professores de então já morreram. A contabilidade sempre foi, para mim, um saber desagradável. Vou apanhar ar, antes de me avistar com um médico que me há-de prescrever um programa de fisioterapia.
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