domingo, 30 de agosto de 2026

Casamento

Ainda estou cansado do casamento de ontem. Como no jogo do Monopólio, por vezes, a vida traz-nos destas coisas. Ir a um casamento, fazer parte do décor, observar a felicidade alheia e todas aquelas coisas que este tipo de eventos traz consigo. A felicidade dos outros é uma coisa muito cansativa, e nisto não há qualquer inveja. Há muito – talvez desde sempre – adoptei uma máxima que não me tem defraudado: uma felicidade que se exibe e se proclama não é uma felicidade, mas apenas uma exibição e uma proclamação. A felicidade é secreta, avara em manifestações públicas, silenciosa perante terceiros. Mais do que tudo isso, ela é coisa incerta. O que nos faz felizes hoje, amanhã aborrece-nos. Fico sempre espantado, nestes eventos, com as proclamações de fidelidade. Ainda são mais estranhas do que as de felicidade. Não porque a fidelidade não seja um valor estimável, mas porque somos seres humanos e a volubilidade é mais persistente do que a fidelidade. Contudo, nada do que está escrito se deve levar a sério. São apenas impressões de alguém que já não vê bem, nem tem fé naquilo em que as pessoas gostam de ter fé. Preciso de descansar. Também o amor dos outros, quando projectado num ecrã que nem sequer é cinematográfico, é muito cansativo. Alguém me disse: Também estás velho. Foi a coisa mais sensata que ouvi durante todo o evento.

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