Quase me ia esquecendo de assinalar a efeméride. Hoje termina o Agosto de 2026. Nunca mais voltará. Não vale a pena fazer uma avaliação do mês que agora se fina. Não estou dado a exames de consciência, até porque isso implicaria ter consciência, coisa duvidosa, possuir, por outro lado, uma razão avaliadora, objecto ainda mais obscuro, e, por fim, ser dono de uma vontade. Ora, se há coisa que não faz parte da minha propriedade é a volição. Ter vontade é uma coisa cansativa. Há pessoas com vontade de ferro, mas eu desanimo só de pensar no peso do ferro associado ao da vontade. Essas pessoas, diz-se, são os construtores e os conquistadores do mundo. Muito bem. Parabéns. Construam os mundos que quiserem, conquistem os que vos der na real gana. Ainda chegarão a comendadores. E não chegam a viscondes nem a barões porque a nomenclatura caiu em desuso. O que é uma pena, pois um mundo cheio de barões e viscondes é muito mais interessante, a paisagem torna-se mais colorida. O único problema que descortino é bastante desagradável. Os cemitérios estão cheios de construtores, de conquistadores, de barões e de viscondes. Aliás, estão cheios de tudo o que é gente. Até de sem-abrigo. Há forte inclinação democrática na morte. Talvez me tenha perdido. Vinha escrever sobre outra coisa, mas depois a mente transviou-se, a consciência foi inconsciente e a vontade, pela sua ausência, não me trouxe ao lugar de onde queria partir. Adeus, Agosto. Fizeste o teu papel, espera-te o descanso eterno.
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