Está em exibição o filme Leibniz – Crónica de uma Pintura Perdida, de Edgar Reitz. Do realizador, apenas vi Heimat, mas, as três séries (na verdade um único filme), e os dois filmes realizados posteriormente, mas anteriores, no tempo da narrativa, às séries, contabilizam dezenas de horas. Ainda não vi o filme e não sei se tenho espaço temporal para o ver nestes dias. As reacções dos espectadores – aquelas que surgem como comentário num jornal – são absolutamente extremadas. Uma pessegada ou de fugir a sete pés, por um lado, e belíssimo filme ou um filme tão denso e intenso. Esta dissensão entre os espectadores não é uma questão de gosto. Ela nasce da equivocidade da palavra cinema. Esta designa tanto o entretenimento industrial, mais ou menos conseguido, como uma das artes contemporâneas, com a respectiva complexidade e exigência de uma educação quase formal. Os espectadores disponíveis para os dois ramos do cinema não são, na maioria dos casos, os mesmos. Uns procuram a insustentável leveza do ser, enquanto outros anseiam por qualquer coisa que sustente e confirme o mundo em que vivem. Quando isso não acontece, a decepção é grande. Não compreendem, nem compreenderão, a frase platónica: as coisas belas são difíceis. Insustentavelmente difíceis, acrescento eu.
Actualização: Afinal, o filme já não está em exibição. Sou um anacrónico. Além, disso, vejo mal ou não vejo. Terá chegado aos ecrãs nacionais em finais de Maio, mas já se evaporou.
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