sexta-feira, 24 de julho de 2026

O dia de hoje

No dia de hoje, mas de 1833, o duque da Terceira, ao comando das tropas liberais, fez a sua entrada triunfal em Lisboa, depois de derrotar as tropas miguelistas, na Cova da Piedade. Também a 24 de Julho, mas agora de 1921, nasceu o tenor italiano Giuseppe Di Stefano. Aliás, recebi a informação logo de manhã, quando no carro ia escutando a Antena 2. Contudo, há que pôr as coisas no seu lugar. O primeiro Di Stefano de que tomei conhecimento chamava-se Alfredo e tinha um acento no e, o que fazia dele Di Stéfano. Era argentino. Pertence à minha memória futebolística, como um dos jogadores míticos do grande Real Madrid, que antes dele chegar da Argentina não era assim tão grande. Claro que não me lembro dele jogar, mas do nome. Ele, diga-se, não devia fazer parte deste texto, pois nasceu a 4 de Julho e não a 24, mas a quase homonímia com o tenor italiano trouxe-o até aqui, e não vejo razão para o expulsar. Podemos discutir quem terá sido maior, se o italiano na Ópera, se o argentino no futebol. Vivemos num mundo dominado pelo totalitarismo da avaliação, onde existem métricas para tudo. Para tudo, mas não para o essencial, como é saber qual dos dois foi o maior no seu campo. Seja como for, tendo em conta o dia, a minha preferência vai para o Duque da Terceira, embora este tenha nascido a 18 de Março. Parece ser uma opção política, coisa que me está interdita. Contudo, um acontecimento político com quase 200 anos não é um acontecimento político, mas um fenómeno natural. Por exemplo, a Revolução Francesa, na sua época e durante muito tempo, foi considerada um fenómeno político, e ainda há quem assim pense. São pessoas anacrónicas, submersas pelas paixões do passado. A Revolução Francesa, vista daqui, ano de 2026, não se distingue da passagem de um cometa, da erupção de um vulcão, de um eclipse do Sol ou de um terramoto seguido de tsunami. Tudo fenómenos naturais. Também o 24 de Julho se tornou um fenómeno natural, um pequeno vendaval, em memória do qual se deu o nome a uma avenida de Lisboa. Devia procurar uma ópera com o Di Stefano e a Maria Callas, a Lucia di Lammermoor, por exemplo. Pensando melhor, vou procurar no YouTube o jogo da final da Taça dos Campeões Europeus de 1961/62, em que o Benfica de Eusébio ganhou 5-3 ao Real Madrid de Di Stéfano. Uma escavação arqueológica.

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