Há múltiplas razões, ou desculpas, para comprar um livro. Eu tenho várias, entre elas “porque me apetece”. Também compro livros sem razão ou com razões tão secretas que nem eu as conheço. Contudo, há pouco fui levantar um livro, encomendado há dias, e cuja razão principal foi o título: O Crisântemo e a Espada. É um belíssimo título, que só por si merece a compra. Devemos, porém, desconfiar das razões que apresentamos para nós próprios. A autora é uma conhecida antropóloga cultural, Ruth Benedict que também escreveu Padrões de Cultura, publicado há muito em Portugal pela Gulbenkian. Ora, além da autora, há o subtítulo: Padrões da Cultura Japonesa. Para os ocidentais – pelo menos para mim – as culturas orientais como a chinesa, a coreana, a vietnamita, a indiana e a japonesa são mistérios. Como todos os mistérios, exercem sobre qualquer um grande atracção. Para mim, talvez acima de todas as outras, esteja a japonesa. O Zen, a música tradicional e o grande cinema japonês são manifestação de uma grandeza que não sei medir, mas que gostava de compreender. Essa, dir-se-á, é a grande razão para a compra do livro. Em aparência, sim, mas só em aparência. A decisão estava tomada antes de saber de que tratava a obra. Bastou o título.
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