terça-feira, 29 de setembro de 2026

Extinção

Por aqui, onde me encontro de momento, outoneceu. Quase não há vestígios de Verão. No entanto, há uma coisa que os habitantes locais nunca viram: um dos dois rios que confinam a propriedade secou. E o outro é um fio de água débil. Esperam pela chuva para ressuscitar o que morreu e dar força ao que foi debilitado pelo calor deste ano. Apesar disso, toda a envolvência continua a verdejar, como se fosse um resto esquecido do paraíso terrestre. Talvez seja por não suportarem as reminiscências desse paraíso que os homens se esforçam por destruí-las. A ideia central que parece comandar a humanidade é a de extinguir tudo o que seja aprazível e tornar cada lugar numa antecâmara do Inferno. É possível que sejamos uma espécie ameaçada, à beira da extinção. Seremos, caso isso aconteça, a primeira que se extingue por deliberação própria. Bem, isto está a ficar apocalíptico, o que não é propriamente o tom desta casa. Seja como for, vivemos uma época em que a temática da extinção da humanidade se tornou assunto nos media e nas redes sociais. Perante isso, há quem não creia na realidade da ameaça, há quem esteja convicto dela. Há também aqueles que encolhem os ombros e dizem: se a nossa espécie acabar, não se perderá grande coisa, e todas as outras ficarão gratas pelo seu suicídio. Isto é um menu: cada um escolherá a alternativa que mais desejar, pois nós, humanos da espécie sapiens sapiens, movemo-nos mais pelo desejo do que pela razão. Eis um post cinzento. Não como o dia, que também está cinzento, mas como o ânimo de quem olha para o leito de um rio e só vê pedras, ervas, folhas mortas, mas não um fio de água.

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