Como estou, já por pouco tempo, na Galiza, numa vila cujo nome omito, decidi entrar numa livraria que me apareceu pelo caminho. Nunca tinha visto uma livraria tão desarrumada. Parece não haver critério para organizar a exposição dos livros. Contudo, o livreiro deve ser um amante incondicional da sua actividade. Perguntei-lhe por dois autores com ligações à vila. E ele, buscando aqui e ali, lá foi descobrindo os seus livros. Falou-me deles com entusiasmo. Aliás, o seu entusiasmo ainda foi maior quando lhe dissemos que éramos portugueses e não anglo-saxões, como imaginara, segundo confessou. Ficámos a conversar sobre livros. Contou-nos que tinha comprado o espólio de uma livraria de livros portugueses que havia em Santiago de Compostela, mas que já não tinha quase nada. Comprei alguns livros dos autores que procurava e também de autores galegos que não procurava, mas que conhecia. No fim, ofereceu-nos um livro, uma espécie de romance etnográfico sobre a região. Prometemos voltar. E espero poder cumprir a promessa. Comprar livros a alguém que os ama não é a mesma coisa que comprar livros onde só existem funcionários que estão ali porque não conseguem estar noutro lado. Curiosamente, a livraria tem o mesmo nome que uma que frequento, com o mesmo entusiasmo, em Campo de Ourique, embora esta seja completamente organizada.
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